Microplásticos na lavandaria: o que sai do tambor não desaparece

Durante muito tempo, quando se falava de lavandaria profissional, a conversa girava à volta do essencial: produtividade, qualidade de lavagem, consumo de água, energia, durabilidade dos têxteis, tempos de ciclo e são esses os pilares do desempenho. Mas, hoje, há uma pergunta que já não pode ficar à porta da lavandaria, como se fosse um detalhe secundário ou um tema apenas para relatórios de sustentabilidade: o que é que cada lavagem está a libertar para o ambiente sem que quase ninguém repare?

A resposta, em muitos casos, cabe numa palavra incómoda: microplásticos. E não, não estamos a falar de um problema distante, perdido algures no mar ou nas notícias sobre poluição global. Estamos a falar de partículas que podem começar a soltar-se precisamente durante a lavagem, no contacto entre têxteis sintéticos, água, química, temperatura e ação mecânica. Ou seja, estamos a falar de um problema que nasce no coração da operação e que, por isso mesmo, diz diretamente respeito a quem trabalha todos os dias com processos de lavagem em contexto profissional.

Têxteis azuis e laranja envolvidos em espuma no interior de uma máquina de lavar industrial, durante um ciclo de lavagem.

Quando lavamos peças com fibras sintéticas, como poliéster, nylon, acrílico e outras semelhantes, parte dessas fibras pode libertar-se sob a forma de microfibras, que são partículas minúsculas, invisíveis à vista desarmada, mas com um impacto muito real. E o mais desconcertante é isto: muitas vezes, o processo parece estar a correr bem, a roupa sai limpa, o programa termina sem falhas, o consumo até parece controlado… Mas isso não significa que o impacto ambiental tenha ficado resolvido.

O problema, no entanto, não está só no tecido. Está no modo como o tecido é tratado. E aqui a lavandaria profissional tem de ser honesta. É fácil cair na tentação de simplificar e dizer que “a culpa é do sintético”.

A libertação de microfibras depende não só da qualidade do têxtil, do seu estado de desgaste, do número de lavagens já realizadas, mas também da agressividade do ciclo, da temperatura, da carga e da própria forma como a operação foi desenhada. Dito de outra maneira: não basta olhar para a composição da peça, é preciso olhar para o processo como um todo.

O problema não está só no tecido, está no processo

É precisamente aqui que a discussão ganha relevância técnica. Porque quando se fala em microplásticos, não estamos apenas a falar de ambiente, estamos a falar também de eficiência de processo, como programas demasiado agressivos, temperaturas excessivas, cargas mal ajustadas ou ação mecânica desnecessária podem acelerar o desgaste dos têxteis e aumentar a libertação de microfibras.

Na verdade, as operações mais maduras são justamente aquelas que percebem que desempenho e controlo andam de mãos dadas. Lavar bem não significa submeter os têxteis a uma lógica de força bruta, significa encontrar o equilíbrio certo entre resultado, proteção do material, consumo de recursos e impacto ambiental. E convenhamos: numa altura em que água, energia e sustentabilidade já não são assuntos paralelos, mas sim critérios de decisão, esta mudança de mentalidade deixou de ser opcional.

Depois há a água, que é talvez o recurso mais subestimado nesta conversa. Fala-se muito dos microplásticos, mas menos do facto de estas partículas viajarem precisamente através do recurso mais valioso de qualquer lavandaria. A sustentabilidade hídrica não é um tema à parte. Faz parte do mesmo problema. Quem otimiza consumos, ajusta cargas, calibra programas e trabalha com equipamentos mais eficientes está a melhorar a operação em várias frentes ao mesmo tempo. Está a reduzir desperdício, está a ganhar controlo e está, também, a diminuir a pressão ambiental do processo.

Lavandaria self-service moderna com várias máquinas de lavar industriais alinhadas, numeradas e integradas num espaço limpo, funcional e bem iluminado.

Já não basta que um equipamento lave bem, seque rápido ou ofereça boa produtividade. Espera-se mais. Espera-se inteligência de processo, precisão, capacidade de ajuste e soluções que permitam operar com maior consciência ambiental. E aqui entram os sistemas de filtragem, que estão a ganhar protagonismo por uma razão simples: mesmo quando o processo está bem afinado, continua a haver libertação de microfibras. A pergunta, portanto, deixa de ser apenas “como lavar melhor?” e passa a ser também “como impedir que aquilo que se solta siga diretamente para o ambiente?”.

A filtragem não resolve tudo, mas muda muito. E muda sobretudo a forma como o setor encara a responsabilidade técnica. Durante demasiado tempo, a lógica dominante foi esta: desde que a roupa saia bem lavada, o objetivo está cumprido. Hoje já não chega. A qualidade da operação mede-se também por aquilo que ela consegue evitar, reter e mitigar.

Mas há outro ponto que continua a ser muitas vezes negligenciado, apesar de ser absolutamente decisivo: a manutenção preventiva. Uma máquina desregulada, com vedantes gastos, drenagem deficiente, temperaturas fora de ponto, filtros saturados ou níveis de água mal calibrados não é apenas um problema mecânico. É um problema operacional, económico e ambiental. Trabalha pior, consome mais, desgasta mais o têxtil e compromete a consistência do processo. Em bom rigor, uma lavandaria que não leva a manutenção a sério está a abdicar de eficiência e a aumentar a sua pegada sem necessidade.

O que sai da lavandaria não desaparece

É aqui que o tema dos microplásticos deixa de ser apenas técnico e passa a ser verdadeiramente estrutural, aquilo que não fica retido no processo pode seguir para as águas residuais e, aquilo que é retido nem sempre desaparece, muda apenas de circuito. O problema não termina no esgoto, nem se resolve por deixar de estar à vista, continua a circular, continua a persistir e continua, em muitos casos, a regressar ao ambiente por outras vias.

E isso obriga-nos a olhar para a lavandaria profissional com outra maturidade. O setor não pode continuar a pensar apenas no antes e no depois da lavagem, como se o processo fosse um sistema fechado. Não é. Está ligado à água, à energia, aos materiais, à durabilidade dos têxteis, à manutenção dos equipamentos e, no limite, à própria forma como entendemos responsabilidade ambiental em contexto profissional.

Os microplásticos persistem nos ecossistemas, entram em cadeias complexas de circulação e levantam interrogações reais sobre o seu impacto acumulado no ambiente e, potencialmente, na cadeia alimentar. Há ainda perguntas por fechar, é verdade. A ciência continua a aprofundar conhecimento, a consolidar dados e a medir consequências. Mas convenhamos: esperar por certezas absolutas para agir seria, neste caso, uma forma demasiado cómoda de adiar decisões que já deviam estar em cima da mesa.

Por isso, a verdadeira mudança de paradigma no setor começa aqui. Começa quando a lavandaria deixa de pensar apenas em lavar roupa e passa a pensar em gerir processos com inteligência ambiental.

Na COMECA, esta é a leitura que faz sentido fazer. A lavandaria profissional do futuro não será apenas a que entrega roupa limpa, branca e pronta a usar. Será a que compreende que desempenho já não se mede só no resultado final, mas também no rasto que deixa ou que consegue evitar deixar. E essa, no fundo, é a nova definição de qualidade: não apenas lavar bem, mas lavar com critério, com controlo e com responsabilidade.

A base factual deste texto foi validada com a referência da Electrolux Professional sobre redução de microplásticos na lavandaria, com o enquadramento da Agência Europeia do Ambiente sobre microplásticos têxteis, com o relatório da OMS sobre microplásticos no ciclo da água e com os dados da ENERGY STAR sobre eficiência hídrica e energética em equipamentos.


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